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Aliados de Sandro culpam Gerez por terceiro lugar nas pesquisas

Aliados de Sandro culpam Gerez por terceiro lugar nas pesquisas

O argentino não chegou à campanha como aprendiz. Ele comandou a comunicação das vitórias de Ratinho Junior em 2018 e 2022

 

 

A campanha de Sandro Alex (PSD) entrou na reta final da eleição para o Governo do Paraná com um novo alvo dentro da própria trincheira: o marqueteiro argentino Jorge Gerez. Integrantes do campo governista passaram a responsabilizar a estratégia de comunicação pelo terceiro lugar registrado pelo candidato nas pesquisas mais recentes, justamente quando o governador Ratinho Junior (PSD) deixou temporariamente o Palácio Iguaçu para tentar empurrar seu escolhido ao segundo turno.

O problema aparece nos números. A Paraná Pesquisas divulgada na sexta-feira, 18 de setembro, registrou Sergio Moro (PL) com 44,7%, Requião Filho (PDT) com 23% e Sandro Alex com 19,7%. Foram entrevistados presencialmente 1.280 eleitores entre 15 e 17 de setembro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Um dia antes, a AtlasIntel também havia colocado o candidato governista na terceira posição: Moro apareceu com 49,1%, Requião Filho com 28,2% e Sandro com 18,6%. A pesquisa ouviu 1.794 eleitores entre 11 e 16 de setembro pelo método Atlas RDR. Os levantamentos utilizam metodologias diferentes e não devem ser tratados como uma série estatística única, mas apresentam o mesmo problema político para o Palácio Iguaçu: Sandro continua atrás de Requião na corrida pela vaga num eventual segundo turno.

É nesse ambiente que Gerez virou vidraça

O argentino não chegou à campanha como aprendiz. Ele comandou a comunicação das vitórias de Ratinho Junior em 2018 e 2022 e participou da campanha de Eduardo Pimentel à Prefeitura de Curitiba em 2024. Em abril, antes do início formal da disputa estadual, Gerez chegou a sustentar publicamente que a vantagem de Moro cairia drasticamente quando o eleitor identificasse Sandro como o candidato de Ratinho.

A transferência, porém, não ocorreu na velocidade imaginada

A Superlive do Blog do Esmael, realizada na sexta-feira, 18 de setembro, colocou justamente a comunicação governista no centro da discussão. Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas, afirmou que Sandro dispõe de cabos eleitorais importantes, como Ratinho Junior e o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, mas que o marketing ainda não conseguiu converter esse patrimônio político em intenção de voto.

Hidalgo foi além. Segundo ele, Sandro precisa deixar de ser apenas “o candidato do Ratinho” para ganhar musculatura e identidade próprias. Em outro momento, resumiu que a comunicação da candidatura “erra diariamente”.

João Barbiero, da TVCI e do portal D’Ponta, conhecido pessoalmente de Sandro há décadas, fez uma crítica ainda mais dura durante a transmissão: “Deixaram o Sandro plastificado, sem coração, falando só de obra de concreto”. A avaliação foi acompanhada por outros integrantes da bancada, que apontaram excesso de discurso ideológico, dificuldade para mostrar o próprio candidato e ausência de uma narrativa estadual suficientemente clara.

Professor Valdir Cruz classificou a falta de identidade como um problema central. Ogarito Linhares, da Ilha do Mel FM, questionou a tentativa de disputar com Moro o eleitor bolsonarista mais identificado com o ex-juiz. Cristina Esteche, do portal RSN, apontou que a imagem de Rafael Greca, vice de Sandro e político com forte reconhecimento em Curitiba, estaria sendo pouco aproveitada, mesmo depois da construção de um “GrecaMóvel” para transportá-lo pela região metropolitana.

As críticas não ficaram restritas à Superlive. Reportagens publicadas durante setembro registraram mudanças de estratégia, atritos entre marketing e jurídico e preocupação dentro do QG governista da Rua Carmelo Rangel. Uma dessas mudanças foi o movimento para aproximar Sandro do eleitorado bolsonarista, estratégia atingida por decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que determinou a retirada de propaganda com a imagem de Jair Bolsonaro.

O paradoxo é que Gerez passou de arquiteto da expectativa de vitória a destinatário da cobrança pelo terceiro lugar.

Segundo relato de um interlocutor da trincheira governista com acesso à campanha, parte dos mesmos aliados que agora descarrega críticas sobre o argentino participou anteriormente de uma celebração no Castelo do Batel marcada por grande otimismo sobre a eleição de Sandro.

O relato menciona champanhe Bollinger, whisky Macallan e charutos habanos numa comemoração em que circulava a previsão de vitória já no primeiro turno. Também atribui ao evento realizado no luxuoso Castelinho do Batel, em 26 de julho, custo de aproximadamente R$ 1 milhão.

O Blog do Esmael não encontrou documentação pública que permita confirmar esse valor nem os itens descritos. Essas informações, portanto, permanecem como relato de bastidor, e não como dados comprovados.

O contraste político, entretanto, independe do cardápio da festa. A expectativa inicial era de que a popularidade de Ratinho Junior, a máquina municipalista, o maior tempo de televisão e uma ampla coligação colocariam Sandro rapidamente na disputa direta com Moro. A fotografia eleitoral da segunda metade de setembro apresentou outro desenho.

Até veículos que acompanham de perto o Centro Cívico já registraram “mau humor” no entorno governista após a AtlasIntel e uma mudança de estratégia conduzida por Gerez diante da dificuldade de Sandro em ultrapassar Requião Filho.

Transformar o marqueteiro em único responsável, porém, simplifica um problema maior.

Murilo Hidalgo observou na Superlive que a própria campanha precisa olhar para dentro, em vez de responsabilizar pesquisas ou agentes externos. O desafio não é apenas de propaganda. Passa pelo engajamento de prefeitos, candidatos proporcionais, lideranças regionais, utilização de Eduardo Pimentel, presença de Greca e definição de qual eleitor Sandro pretende conquistar na reta final.

A eleição tem data para terminar. O primeiro turno será em 4 de outubro. Tic-tac.

Até lá, Gerez terá de fazer aquilo que o governo esperava desde o começo: transformar a popularidade de Ratinho Junior e a estrutura do grupo governista em votos para Sandro Alex. Se isso não acontecer, o argentino poderá continuar recebendo a conta.

Mas a urna mostrará se o problema estava somente no marketing ou se o terceiro lugar era consequência de uma candidatura que nunca encontrou espaço próprio entre Moro e Requião Filho.

 

(Foto PSD-PR)

 

 

Fonte: Gorpa Notícias com Blog Esmael

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