Para inaugurar essa coluna nada melhor do que falar de espiritualidade em tempos modernos. Uau! Que dias vivemos. O mundo parece estar de ponta cabeça. Você não acha? Você que faz parte da Geração Y, millennial (nascidos até 1990) para baixo, não deve cansar de se surpreender – esse mundo está estranho – eu repito isso constantemente para mim mesmo, tentando encontrar lógica no meios de tanta irracionalidade. Mas apesar disso, não deixa de ser fascinante viver para ver tudo o que tem acontecido.
Vivemos um momento único na história, principalmente por causa das descobertas e avanços tecnológicos. Sempre fui apaixonado por tecnologia, tudo o que tinha botões, telas, componentes eletrônicos me chamava a atenção. Minha imaginação sempre ganhava asas quando ouvia falar de novas tecnologias. Me lembro de uma vez, no final dos anos 80, que alguém me falou que breve teríamos uma espécie de mini televisão presa no nosso pulso como se fosse um relógio, eu fiquei pensando naquilo por semanas, sonhando em ter aquele equipamento. Para se ter noção, naquela época só tínhamos 3 ou 4 canais de televisão que eram transmitidos em minha cidade. Lembro que em 1999 comprei meu primeiro celular, e a alegria era maior ainda, porque ele vinha com um bônus de mais de 500 minutos de conversa. Lembro-me que nesse dia eu peguei aquele celular, eu estava bem no centro da cidade, liguei para um amigo meu e fui andando pelo calçadão, as pessoas paravam para ver o que era aquilo. Com certeza inovações sempre nos chamam muito a atenção. Ainda mais nos dias que vivemos que parecem que os filmes de ficção estão se tornando realidade, robôs assistentes, carros voadores, edição genética, viagem espacial. Tudo isso é muito empolgante.
No entanto uma coisa que não mudou e nem pode ser mudada por toda essa “evolução” – a condição humana.
Cada descoberta e melhora tecnológica revela de forma mais clara nossas misérias, somos capazes de criar robôs para não nos sentirmos sozinhos, mas não conseguimos cuidar do nosso semelhante. Somos capazes de plantar e produzir mais, mas não conseguimos alimentar o faminto, temos mais riquezas hoje que em qualquer época da história, mesmo do que na época de Mansa Musa (século XIV), que foi considerado o homem mais rico da história, alguns acreditam que teria o dobro da riqueza de Elon Musk. Nada disso pode tornar-nos mais evoluídos, pacíficos, amáveis, abnegados, a realidade é que não precisa aprofundar muito para perceber que vivemos da forma muito egoísta, perdeu-se o senso de comunidade, de servir o outro, que dirá, amar o próximo.
Por muito tempo, acreditamos que os avanços tecnológicos nos tornariam mais sábios, mais felizes e, quem sabe, até nos fariam melhores pessoas. Afinal, tudo ficou mais rápido, mais conveniente, e hoje até pedir comida exige menos esforço que fazer uma oração. Mas será que essa enxurrada de inovação realmente melhorou a condição da humanidade?
Bom, antes da internet, as pessoas já mentiam, fofocavam e falavam mal umas das outras. Agora, podem fazer tudo isso em tempo real e para um público global! Tiago 3:6 nos lembra que “a língua também é um fogo, um mundo de iniquidade,” e hoje esse fogo vem impulsionado por fibra óptica e servido em alta definição.
E o orgulho? Antes, ele se manifestava nas praças e reuniões sociais. Hoje, a cada dois segundos alguém posta uma selfie e escreve uma legenda filosófica sobre sua jornada de autodescoberta – tudo isso com um filtro que esconde a realidade tanto quanto a serpente no Éden escondeu suas verdadeiras intenções. O sociólogo Guy Debord, já falava no seu livro A Sociedade do Espetáculo, de 1967, que vivemos em uma sociedade que “evoluiu” da sociedade do SER, para a sociedade do TER, e hoje vivemos a sociedade do PARECER. Tudo gira em torno da imagem.
A tecnologia não nos tornou mais justos ou santos – apenas nos deu ferramentas mais sofisticadas para manifestar a nossa natureza, e essa natureza não pode ser “melhorada”, isso é que qualquer religião faz, mas o problema da humanidade não é de se aprimorar, ser “sua melhor versão”, nosso problema é de natureza, é por isso que Jesus quando foi procurado por um grande mestre, disse a ele para responder seus questionamentos mais profundos – “Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo (…) É necessário que vocês nasçam de novo” (João 3.3,7). A humanidade continua precisando da mesma solução que precisava desde Adão: um Salvador, e não um novo modelo de smartphone.
Fonte: Colunista do Portal Guarapuava Notícias Pastor Lucas Giorno